Apesar de já ter feito um post geral sobre o que você precisa saber antes de ir a San Blas, decidi compartilhar com vocês mais detalhes. Como esse não é um destino muito comum, não é fácil encontrar informações sobre a organização da viagem. Mas nada de pânico! Vim aqui explicar direitinho como foi o nosso planejamento e, claro, contar mais sobre a nossa experiência por lá!

ACOMODAÇÃO

Acho que basicamente toda a viagem começa com a compra das passagens e a escolha da hospedagem, né? Como já estávamos com a passagem para o Panamá em mãos, começamos a pesquisar sobre as possíveis hospedagens em Kuna Yala.

No primeiro momento pensamos em hotéis, mas logo vimos que essa não era uma opção válida no destino. Não existem hotéis em San Blas e as pouquíssimas ilhas que oferecem algum tipo de acomodação são bem simples, com cabanas rústicas mesmo.

O preço médio para ficar em uma dessas cabanas é de 50 a 70 dólares por noite e cada uma acomoda 2 pessoas. A maior parte é bem simples, algumas tem até areia no chão, e possuem banheiros compartilhados. Algumas das ilhas que oferecem essa possibilidade são: Tubisenika, com opções do lado Franklin (+507 6768-4075, +507 6156-5711  ou +507 6060-3842) e outras do lado Senidup ([email protected]); Kuanidup (site); e Isla Perro (reserve aqui).

Como queríamos passar 6 dias por lá, não valia a pena ficar “preso” em uma das 360 ilhas da região. O veleiro nos pareceu a melhor opção tanto pelo conforto quanto pela praticidade para se locomover de uma ilha para outra. Aah, a diária do veleiro já inclui todas as refeições e passeios, ok?

Também tínhamos a opção de acampar cada noite em uma ilha, mas preferimos o conforto do barco. Para quem curtiu a ideia, o custo diário para acampar é de 10 a 30 dólares por noite/pessoa. Isso não inclui nem alimentação e nem o transporte de uma ilha para outra que, em média, custa de 50 a 70 dólares. No entanto, saiba que você ficará por conta própria, afinal, a maior parte das ilhas não possui nem mesmo energia elétrica.

COMO ESCOLHEMOS O VELEIRO?

Nós fizemos todas as nossas reservas pelo Life Sailing Experience. O site tem basicamente um catálogo de barcos e quem faz toda a curadoria é Marina, uma espanhola supersimpática. Aliás, diferente dos sites de hotéis, em San Blas não tem essa história de “review” dos barcos com as opiniões dos usuários, você precisa confiar na pessoa que fez a seleção – nesse caso, a Marina.

Mesmo com ela nos indicando o veleiro de um casal um pouco mais velho, eu e o Paulo preferimos o Italo (@italomattei) e posso dizer que foi uma boa escolha. A Marina nos indicou o outro casal por causa da comodidade que teríamos, afinal, eles cozinham muito bem e são superorganizados. Já o Italo (que também está no catálogo da Life Sailing Experiece) é um pouco mais desorganizado e fuma, o que poderia incomodar alguns turistas, mas para nós isso não foi um problema.

É importante lembrar que ficar em um veleiro é uma experiência completa. Não dá para fazer a escolha do barco como faria com um hotel. Você tem que pensar que estará realmente entrando na casa de alguém. Nós, por exemplo, não queríamos só comodidade, mas sim pessoas com uma idade próxima a nossa para que tivéssemos dias agradáveis e boas conversas, sabe? A experiência de ficar em um veleiro vai além do conforto do quarto, a companhia conta muitos pontos.

Bom, além da simpatia do Italo e da Francesca, sua namorada, o barco em si foi uma ótima escolha. Era de um tamanho ótimo para nós 4 (sobrou até um quarto) e tudo funcionava muito bem.

Existem outros sites que fazem esse mesmo trabalho de curadoria e o próprio Italo participa de 2 deles: o Ocean Trips e o I Travel by Boat. Existe também um outro site com veleiros exclusivos, o San Blas Sailing, mas como são barcos que só estão nesse site, a gente não indica muito.

Os preços das diárias ficam em torno de 200 a 400 dólares por pessoa com tudo incluso: refeições, passeios pelas ilhas, lanchinhos e até mesmo bebidas alcoólicas (com moderação, claro). No entanto, o custo é muito relativo porque existem barcos muito maiores e com uma tripulação realmente grande, com mais de 10 pessoas. No geral, os veleiros com mais de 14 m² já são considerados de luxo e por isso o valor é bem mais alto.

Na época que nós fomos, encontramos com alguns turistas em um veleiro que era o dobro do nosso e, o custo para a semana, foi simplesmente 26.000 dólares. É importante ressaltar que em época de festas, como réveillon, o valor da diária de um barco médio pode chegar até 1.000 dólares. Realmente, o céu é o limite e cabe a você decidir qual é o veleiro que melhor se encaixa no seu estilo e no seu bolso.

Você também tem a possibilidade de contatar um barqueiro diretamente pelo instagram, facebook ou celular. É lógico que em uma primeira vez é sempre melhor ter o suporte de uma empresa, mas é bom saber que não é imprescindível.

COMO CHEGAR ATÉ KUNA YALA?

Você pode chegar de carro (com uma agência ou sozinho), mas também existe a possibilidade de ir de avião até El Porvenir. Eu e o Paulo, como na maioria das vezes, preferimos alugar um carro nós mesmos. Os kunas exigem que seja um carro 4×4, apesar de não ter muita necessidade, mas fica aqui o lembrete. Uma boa dica também é sair bem cedo com o carro para pegar menos fila na fronteira e já conseguir aproveitar o primeiro dia nas ilhas.

O trajeto da Cidade do Panamá até a fronteira de Kuna Yala dura em torno de 2h. A estrada é sinuosa, mas bem sinalizada e está em boas condições. Chegando na fronteira você terá que mostrar o passaporte para um oficial panamenho e depois para um kuna que pede o documento, mas nem olha as informações. Eu e o Paulo ficamos até surpresos porque ele nem abriu o nosso passaporte, haha 😉 É também lá que você paga a taxa de 20 dólares por pessoa para entrar em território kuna + 5 dólares por carro (valores de janeiro/2018).

Depois de passar pela fronteira, nós pegamos um transfer que levou uns 15 minutinhos até o porto de Barsukun, o principal da região. Nós reservamos com a Judy (+507 6706 -2810) e todo o trajeto foi muito tranquilo – ela inclusive pode te ajudar se você for direto para uma das ilhas. Não se esqueça de confirmar com o dono do veleiro ou com a agência onde estará o barco, porque existem dois portos na área: o Barsukun e o Carti.

COMO ACHAR O SEU VELEIRO?

Apesar do sinal fraco de celular no porto, você não precisa se preocupar muito para achar o seu veleiro. A Judy mesmo passa o nome da pessoa que você precisa encontrar e que irá te levar até o barco. Antes de entrar no porto você terá que passar o modelo do carro e a cor, o que facilita demais. No nosso caso, como a pessoa que iria nos ajudar a chegar no veleiro já sabia qual era o carro, ela mesma já veio nos encontrar.

Apesar da aparente falta de estrutura e de informação, tudo funciona muito bem, é organizado e, no final, acabou sendo mais tranquilo do que imaginávamos. Do porto você pegará um barquinho menor que irá te levar até o veleiro.

COMO FOI A NOSSA EXPERIÊNCIA?

O Italo conhece muito a região e sabia exatamente onde nos levar para curtir ao máximo os dias. Além disso, ele mesmo pescava e a Francesca preparava a comida. Infelizmente, tive que levar várias comidinhas vegetarianas comigo, porque lá é basicamente só peixe e arroz.

O Paulo se esbaldou com os peixes fresquinhos, mas se você é vegetariano, vegano ou não come frutos do mar é melhor levar opções na mala. Além de vários grãos, também levei alguns chocolatinhos e besteirinhas. Não sabia da falta de legumes nas ilhas e, em uma segunda visita, eu definitivamente acrescentaria legumes, verduras e frutas nessa lista. É só passar em um mercado na Cidade do Panamá antes de partir para Kuna Yala, não tem erro 😉

Você também pode já deixar combinado com o comandante do veleiro o que irá precisar durante a estadia, mas deixe bem claro que você realmente precisa de certos alimentos, ok?

Aah, antes que me perguntem, o barco tem banheiro, mas a água doce precisa ser usada com muita cautela. Nós mesmos tomamos o famoso banho de marinheiro todos os dias – para saber mais é só clicar aqui! Toda a água doce do barco é feita com uma máquina de dessalinização e, no caso do Italo, ela produzia 60 litros por hora.

A máquina funciona à disel e por isso todo esse processo é muito caro. Água doce por lá é ouro, tanto que a água usada na descarga é do mar, assim como a de uma das torneiras da pia da cozinha. Isso acontece porque na hora de lavar louça, você tira o grosso com água salgada e só depois dá o último enxague com água doce.

Acho que os veleiros são realmente as opções mais vantajosas por lá e, com certeza, indicamos o passeio para todo mundo.

Ainda tem dúvidas e quer saber mais sobre a nossa experiência por lá? Vejam o vídeo que já está lá no canal e, para mais informações, vale dar uma olhadinha nos posts da Lala Rebelo – tem até um guia bem completo! Fiquem atentos aqui no site, porque já já entra um post respondendo as perguntas que vocês deixaram lá no meu insta 😉