O café mais caro do mundo é produzido a partir de fezes. Isso mesmo que você leu. Chamado de Kopi Luwak, esse tipo de café é produzido na Indonésia e é retirado das fezes de um bichinho chamado civeta. Bem peculiar. 

O animal, que é da mesma família dos gatos, come o café e também outras frutinhas da região onde vive. Os alimentos da dieta dele, junto com o café, são fermentados pelo sistema digestivo, que libera ácidos e enzimas fundamentais para a transformação do grão. Depois, os grãos são eliminados daquele jeitinho que todo mundo conhece – com o famigerado número 2. Ou seja, literalmente um “café de cocô” ou “café cagado”, como falam por aí. 

E sabe quanto custa esse produto? O quilo vale entre R$ 1.200 a R$ 1.600. Tudo isso mesmo. Mas antes de discutir o valor, vamos entender um pouco o valor agregado ao produto e de onde surgiu essa pira toda. 

ORIGEM

Foto: MMG58

Pelo que se sabe, a decisão de aproveitar os grãos de cafés das fezes da civeta veio a partir de uma necessidade dos moradores da Indonésia por volta do século XVIII. O que acontecia por lá era o seguinte: os holandeses, sabendo do potencial de fertilidade do solo da região, levaram mudas do fruto para a iniciar a produção de café por lá. 

Como era um produto caro, eles proibiram os indonésios de consumir o grão, mesmo sendo eles os responsáveis pela produção do alimento. E qual foi a solução dos moradores? Pois é, utilizar os grãos de café que apareciam nas fezes dos civetas. 

Nessa época, os bichinhos ficavam soltos e comiam os melhores frutos do café, além de outras frutas que também faziam parte de sua dieta. O mais interessante é que essa combinação de frutos, junto com a fermentação do café dentro do bichinho, faz com que o produto fique menos ácido e com um sabor mais aveludado. Daí todo o sucesso. 

Os holandeses, que não são bobos, começaram a comercializar o grão “cagado” assim que descobriram o processo feito pelos indonésios. E desde então o Kopi Luwak é vendido e conhecido por sua excentricidade. Antes de chegar nos consumidores o grão é lavado, processado, torrado e tudo mais, mas ainda assim é bem estranho pensar de onde ele veio. 

POR QUE TÃO CARO? 

Foto: Estela Shaddix

A princípio, esse tipo de café era extremamente raro pois dependia da boa vontade dos luwaks/civetas para comer as frutas e também da “caça” às fezes. Além disso, a produção era feita em baixa escala, encarecendo ainda mais o produto. Os preços chegavam a R$ 5.000!

Agora, no entanto, fazendas e outros espaços aprisionam os bichinhos para ampliar a produção desse café. Além de ficarem em jaulas, os bichinhos recebem apenas o fruto do café como alimentação, deixando sua dieta pobre e incompleta. Basicamente, os animais passaram a viver em função dessa indústria de cativeiro. 

Hoje em dia é praticamente impossível saber se o Kopi Luwak vendido é de um animal livre ou daqueles presos em jaulas, escravos do turismo de exploração. Para nós, como pessoas éticas, não faz sentido consumir produtos de um bichinho que está sendo maltratado. Por isso, não vamos compartilhar com vocês as nossas percepções sobre o sabor desse café porque nem mesmo tomamos. 

E apesar da produção ter aumentado, esse continua sendo um café raro e ainda é um dos mais caros do mundo. Mas a que preço, não é mesmo?

***

O que você acha sobre o assunto? Aqui no Brasil temos uma produção de café bem semelhante, chamada de Jacu. No lugar do civeta, é um pássaro o responsável pelo grão. Sabia dessa?