Não é segredo nenhum que o interesse e curiosidade dos brasileiros pelo apaixonante mundo dos vinhos vêm aumentando na última década. E já vou avisando: se começar a ler esse post há uma grande chance de entrar para esse clube, afinal, diz-se que este é um caminho sem volta.

Mas o que há de tão interessante nesse universo enogastronômico? Simples, ele é infinito. Infinito em sabores, em aromas, cores, texturas, harmonizações, cultura, e pura história! Posso lhes garantir que sempre fui péssima aluna de História e Geografia durante o Ensino médio (que na minha época era chamado colegial… rsrsrs), no entanto, após ser apresentada aos vinhos, passei a linkar história e geografia às sensações x terroir (esqueci de falar, apreciar vinhos também é uma excelente aula de português, inglês, francês, italiano… Só para constar, a definição de terroir é complexa, e não há palavra em qualquer outra língua para defini-la. Uma explicação simples, seria algo como: ambiente natural de cultivo, que envolve o solo, subsolo, e rochas, com suas propriedades químicas, em interação com o clima da região). E além de tudo isso ainda faz bem a saúde! Já estão começando a entender por que se trata de um caminho sem volta? Sim, apreciar um bom vinho é definitivamente viciante, cada garrafa uma expectativa, um friozinho na barriga por não saber o que vem pela frente.

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No entanto, quando falamos de vinho com tanta paixão, algumas pessoas já nos olham de lado, sabe aquela cara de: “shiiiii, lá vem o enochato que vai ficar dando palpite na minha bebida”! Pois é, infelizmente alguns admiradores de vinho têm essa mania de ficar criticando e meio que ditando regras de harmonização, tornando a degustação enofílica aquilo que chamo de “ditadura dos vinhos”. Sem dúvidas a harmonização de vinho x comida faz uma grande diferença quando bem feita, pois tanto a comida tem a capacidade de enriquecer as notas do vinho, como o oposto também é válido: um bom vinho quando bem harmonizado torna o prato substancialmente mais aromático e prazeroso. No entanto, ao harmonizar alguns elementos você pode sim ter um resultado muito desarmônico, e desagradável ao paladar, podendo estragar tanto seu prato, como sua taça.

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Sendo assim, vou deixar aqui algumas dicas básicas de harmonização para tentar minimizar a chance de uma experiência ruim ao paladar.

Primeira dica de todas: Alimentos que dificilmente harmonizam com vinhos:

  •  ovos: têm a propriedade de anestesiar as papilas gustativas tornando o vinho sem graça.
  • alcachofras: contém cinarina, que afeta o paladar de diversas formas dando ao vinho um paladar doce ou metálico.
  • chocolate: o cacau contém taninos semelhantes aos dos vinhos, tornando a apreciação desse último desagradável (para harmonizar vinho e chocolate, vale tentar os mais alcoólicos e concentrados, principalmente os doces).
  • espinafre, aspargos: assim como a alcachofra, apresentam componentes químicos que alteram o paladar do vinho.
  • comidas condimentadas: os condimentos comuns às comidas indianas, mexicanas e tailandesas anestesiam as papilas, podendo reduzir um excelente vinho a nada!

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Agora a dica mais preciosa que recebi de uma amiga, grande entendedora de vinhos, responsável pela minha iniciação nesse universo: para não errar, harmonize a uva ao prato principal do país de origem do vinho. Veja alguns exemplos:

  • Malbec: principal uva da Argentina. Prato mais consumido na Argentina: Carne. Malbec harmoniza com carne.
  • Riesling: principal cepa da Alemanha. Pratos alemães: embutidos, chucrutes, strudel de maçã. Riesling harmoniza divinamente com qualquer um desses pratos.
  • Chiantti: são os vinhos da Toscana, geralmente feitos com 100% da uva sangiovese. Já que estamos falando de um Italiano, nem preciso falar que aqui a harmonização com espaguete ao sugo é perfeita, não é?
  • E no Brasil???? Bom, o Brasil vem sendo mundialmente reconhecido pelos seus espumantes, então não tenha medo! Harmonize espumantes brut com toques cítricos com o melhor prato brasileiro: FEIJOADA! Sim, essa é uma das melhores harmonizações que já provei, e para ajudar o nosso clima quente cai muito bem com um espumante geladinho!

Acho que com essas dicas já deu para ter um gostinho do que vem por aí, não é mesmo? Tem muita coisa para explorarmos aqui! Nos próximos posts, serei um pouco menos geral, vamos falar dos tipos específicos de uvas, países, harmonizações, eventos enogastronômicos, etc, etc…

E lembre-se: para se tornar conhecedor de vinhos, o que vale é a “litragem”, ou seja, só mesmo degustando diversas garrafas para compreendê-los. No entanto, não se esqueça de apreciar com moderação!!!! #ficaadica

Salute!