Ah, o Chardonnay! Eu simplesmente amo essa uva! Assim como a uva Pinot Noir, a Chardonnay, uma uva branca, é a rainha da Borgonha! Todos os vinhos brancos borgonheses são elaborados com a uva Chardonnay. Existe porém uma exceção que são os vinhos da uva também borgonhesa Aligoté, que tem uma expressão muito menor na região e assim como a uva Gamay não produz vinhos muito relevantes. Existem porém bons espumantes da Borgonha (chamados de Crémant, pois Champagne são só os da região de Champagne!) feitos com a uva Aligoté.

FOTOS: Paulo Cuenca – Instagram: @paulocuenca

Já a Chardonnay… São muitos os estilos de vinhos que podem derivar dessa uva! Além de fazer parte dos blends de Champagne, esta uva é plantada em praticamente todas as regiões produtoras de vinho do mundo! Você poderá encontrar bons vinhos de Chardonnay a um precinho muito camarada e vinhos com preços que, bom, digamos que a grana gasta em uma garrafa de um grande Chardonnay poderia ser usada para…hum… alimentar um pequeno vilarejo na Somália por 1 mês.

Existe um tipo de vinho chamado Chablis, bastante conhecido e com certeza um dos estilos mais copiados pelos produtores do Novo Mundo. O Chablis chama-se Chablis pois vem da região de Chablis, invariavelmente. É um vinho amadeirado, porém elegante, com bastante corpo e tem um paladar bem característico e untuoso… Traduzindo, a uva Chardonnay rende vinhos encorpados, perfeitos para harmonizar com pratos que são mais gordurosos como… um salmão, certos queijos, bacalhau…

Aliás, um pequeno desabafo (insira aqui um sotaque português): “Mas por que ráios as pessoas querem sempre comer bacalhau acompanhado de vinho tinto?” . Tá tá tá, eu sei, é tradição em Portugal… Mas, gente… É horrível! Bacalhau é um peixe forte, salgado, e vou continuar a bater nessa tecla: o sal do peixe com os taninos do vinho dá um gosto metálico horroroso na boca. Faz favor? Da próxima vez que forem fazer um belo bacalhau em casa, lembrem de mim e comprem ao menos uma garrafa de Chardonnay barricado. Prometo que vocês não vão se arrepender pois vai ficar muito, mas muito mais gostoso!

Voltando, são muitos os estilos de Chardonnay. Geralmente os vinhos dessa uva fazem estágio em barricas de carvalho, francês ou americano. Depende muito do estilo do produtor e do produto final que eles almejam. Se querem um Chardonnay mais sutil, utilizarão carvalho francês e se quiserem um vinho mais forte, utilizarão um carvalho americano. E os dois estilos são sempre deliciosos!

O Chardonnay que escolhi para o post de hoje foi um Petit Chablis 2010, do Domaine Brocard. Este é um produtor especializado em Chablis, que faz vinhos de altíssima qualidade e este Petit Chablis estava di-vi-no. O Petit Chablis é um Chablis elaborado com uvas de vinhedos variados, diferente dos grandes Chablis que geralmente são elaborados com uvas de vinhedo único. Digamos que é um Chablis mais “genérico”, sem tirar o prestígio do vinho de ser um Chablis! Tudo nele estava perfeito: excelente acidez, excelente corpo, bastante untuoso, aromas bem sutís de abacaxi e… fermento de pão! Fino e elegante!

No Brasil é muito fácil encontrar Petit Chablis, mas vou evitar comparar os preços pra não ficar chata e repetitiva. Se não encontrar um Petit Chablis que te agrade, eu sugiro procurar um Chardonnay argentino ou chileno, que nunca decepcionam. Se o orçamento estiver bom, prove também um Chardonnay californiano, os maiores copiadores de Chablis! Ah, recomendo sempre abaixar a temperatura dos vinhos brancos para cerca de 12oC, e com esse vinho não é diferente. Outra dica: aconselha-se por aí a sempre consumir os vinhos em sua temperatura exata pois, se um vinho estiver muito quente você sentirá um desequilíbrio enorme no álcool e se estiver muito gelado suas papilas gustativas adormecerão e você não degustará nada apropriadamente. Mas, de forma geral, eu gosto sempre de deixar os vinhos um pouco mais gelados do que me pedem. Principalmente para brancos, se você não tiver um balde com gelo a mão pois o vinho à mesa esperando para ser consumido irá esquentar muito rápido (a não ser que você consiga beber mais rápido…) e logicamente perderá sua temperatura ideal mais rápido ainda. A discussão sobre temperatura dos vinhos é longa, muita gente (principalmente os franceses!) divergem da minha opinião, mas o meu conselho para os brasileiros, que adoram qualquer coisa bem geladinha, permanece esse!

 

Para harmonizar, eu tive a grande felicidade de escolher um queijo chamado Brillat Savarin. Este queijo originário da Normandia foi criado pela família Dubuc em 1890 e renomeado família Androuet por volta de 1930. É feito com leite de vaca e que leva cerca de 75% de creme em sua composição. O seu nome é uma homenagem ao grande gastrônomo francês Jean Anthelme Brillat-Savarin, autor do livro que todo estudante de gastronomia precisa conhecer: A Fisiologia do Gosto! É um queijo que tem aquela carinha do Brie e do Camembert, mais conhecidos para os brasileiros, com aquela casquinha branquinha só que um pouco mais enrugada e o sabor… Meu Deus! Simplesmente sensacional! Bem rico, untuoso! E, o mais bacana de tudo, ficou perfeito com o nosso igualmente encorpado e untuoso Chablis! E este foi votado o melhor queijo, e a melhor harmonização que eu já fiz até agora! Consegui me redimir do Saint Nectaire!