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Olá! Tudo bem?

Muito prazer! Eu sou o Juliano e, como uma boa parte dos brasileiros que conheço, gosto de beber um bom café pelo menos uma vez por dia. Gosto tanto que há alguns anos me propus a encarar profissionalmente o ofício de aprender um pouco mais sobre o café e as pessoas que o bebem. E é claro que aquilo que a princípio parecia um hábito simples logo começou a revelar pontos muito interessantes. Cada descoberta levou a novas informações, que me levaram a conhecer pessoas e me incentivaram a buscar outros aromas, texturas e sabores. A busca nunca mais parou, e conforme o tempo passa vejo como é longa e cheia de nuances a caminhada neste ofício.

Há uma pergunta que me motiva todos os dias a conhecer um pouquinho mais sobre essa bebida tão importante para nossa história, identidade e felicidade (principalmente pela manhã): se o café é tão popular no Brasil, então por que sabemos tão pouco sobre ele? Minha hipótese é de que a maioria de nós não sabe por onde começar, e por isso acaba (com a permissão do trocadilho) bebendo sempre das mesmas fontes, sem ter interesse em conhecer novas possibilidades. Mas a perspectiva é boa para os amantes do café. Mesmo considerando a grande extensão geográfica e cultural do nosso país, hoje em dia já se pode dizer que existe muita gente interessada em conhecer mais sobre a bebida que chega até sua xícara.

cafes-especiais-juliano-lamur-operationgroundswell.com-ickfdfonte: Operationgroundswell

Então, é com grande satisfação que venho cá anunciar a todos os leitores, leitoras e comedores de sobremesa em geral que estamos inaugurando a coluna Café em Casa aqui no blog do ICKFD! Nosso objetivo é fazer uma introdução ao mundo dos cafés especiais, um assunto que tem atraído cada vez mais o interesse de todos os tipos de público. Além disso, pretendo sempre trazer dicas simples que possam ser colocadas em prática, pois mais importante do que falar sobre bons cafés é beber bons cafés. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa!

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Cafés especiais e cafés “comuns”

Para começar essa conversa pelo começo, quero falar rapidamente sobre o que são cafés especiais, e algumas diferenças entre eles e os cafés “comuns”. Estes cafés “comuns” também são conhecidos como cafés commodity (ou commodities), pelo fato de que são comercializados internacionalmente apenas como ‘café’, sem levar em conta muitos critérios de qualidade. Isso faz com que geralmente sejam produzidos em quantidades muito grandes e negociados em bolsas de mercadorias ao lado de bois, milho, soja, laranjas e por aí adiante. É nessa categoria que se encontram a maioria dos cafés que vem de grandes produtores e são vendidos em supermercados por aqui, bem como grande parcela da produção nacional vendida para outros países.

Já os cafés especiais, ah os cafés especiais! Há muitas diferenças entre o mercado de commodities e o mercado especializado. Geralmente os cafés especiais são definidos pela qualidade e pela complexidade de seu sabor, além de que suas origens são parte importante do processo – afinal, as origens ajudam muito a definir qualidade e sabor. Isso tudo e diversos outros critérios são levados em consideração por órgãos como a BSCA – Associação Brasileira de Cafés Especiais, que testam e certificam a qualidade de fazendas, produtores e cafés no Brasil e no mundo todo.

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O que mais é levado em conta? Desde características físicas do café (variedade, cor, tamanho), seus sistemas de produção (se seguem as normas da agricultura orgânica, se realizam ou não a manutenção de espécies vegetais e animais nativos) até as condições de trabalho de quem fornece a mão de obra (no plantio, colheita, processamento, etc.) para que possamos saborear uma bebida de qualidade. Este segmento representa hoje cerca de 12% do mercado internacional, no qual nós brasileiros ainda temos muito a aprender. Geralmente um café especial pode ser identificado pelo selo de qualidade na embalagem e também pelo preço, normalmente de 30% a 40% mais caro que os cafés cultivados de modo convencional. Um investimento a mais que, por experiência própria, sempre acaba valendo a pena. 🙂

Bom, acho que por esse início já deu pra ter uma ideia de que o assunto vai longe, né? Então entre, não repare a bagunça e sinta-se em casa. De agora em diante estaremos aqui quinzenalmente e temos muito para conversar. Aceita uma xícara de café?

foto de capa: Twohandsnyc