Uma ilha paradisíaca é bom, mas vamos combinar que um complexo com quatro é ainda melhor, né? Pois bem, as pequenas ilhas de Coco Bandero, em Kuna Yala (San Blas), são paradas obrigatórias durante a viagem. Isso porque em um pequeno espaço você consegue conhecer várias ilhas e, por mais que elas sejam próximas e parecidas, cada uma tem suas especificidades.

Duas ilhas são habitadas e as outras duas não. Uma é completamente deserta e é claro que começamos o nosso dia passeando por ela, né? Mas não se engane: não é porque ela está vazia que é limpa – muito pelo contrário. Como são os kunas que limpam o lixo que vem das correntes do Pacífico, as ilhas sem habitantes são bem mais sujas.

Ainda antes do sol se pôr, partimos para uma das ilhas habitadas. Lá conhecemos um casal maravilhoso: a Cristobalina e o Patrício. Ambos são kunas mas viveram a vida na Cidade do Panamá. A Cristobalina, por exemplo, saiu de Kuna Yala com 15 anos e voltou só agora, com 60.

Como o turismo cresceu bastante nos últimos anos e ela tinha direito a duas ilhas de Coco Bandero, decidiu voltar. Aah, e lembram que eu falei do grupo de 32 mulheres que estão na região para evangelizar os kunas? Então, Cristobalina é uma delas!

Mas olha, ela é uma das mulheres mais mente aberta que conhecemos por lá. As filhas não usam trajes típicos e ela não obrigou nenhuma delas a usar as winis depois da menarca ou cortar o cabelo após o casamento. Ela também é contra a família escolher o marido para as mulheres e por isso deixou as filhas livres pra fazerem suas próprias escolhas.

Por falar nisso, Patrício é seu segundo marido, tá? Eles estão juntos há 37 anos e agora estão começando a construir uma nova cabana em uma das ilhas ainda desertas de Coco Bandero. Por enquanto, eles continuam morando em uma das ilhas já povoadas.

Patrício era chef de cozinha no Panamá e nos convidou para um jantar na cabana. É claro que aceitamos, afinal, não é todo dia que se tem um chef à disposição. Como eles são “novos” na região e nem todos os veleiros os conhecem, acho que vale a dica de procurar o casal. Além de muito simpáticos, o Paulo simplesmente amou o jantar. Eu, infelizmente, não provei porque não tinha opção vegetariana :/

Eles jantam normalmente às 18h e, mesmo com o nosso atraso de quase 2h, todos foram muito queridos. A noite de lua cheia estava linda e a companhia ainda melhor.

A casa era bem simples, tanto que o jantar foi servido em uma mesa de madeira cheia de coisas (vela de aniversário, aerosol, produtos de limpeza…) e todos ficaram sentados no tronco mesmo. O cardápio foi um peixe pargo enorme com cebola e pimentão que o Paulo amou: casquinha ultracrocante por fora e muito úmido e macio por dentro. Para acompanhar, não poderia ser diferente: um arroz de coco bem leve.

Foi nesse jantar que pudemos conversar ainda mais com o casal e conhecemos até mesmo os netos deles. Como tinha comentado no post sobre a cultura kuna, as tradições vem se perdendo e, para vocês terem uma ideia desse impacto, os netos não falam nem mais kuna, só espanhol :/

A noite foi ótima e é claro que no dia seguinte aproveitamos para conhecer a ilha ainda não povoada da Cristobalina. O lugar é muito limpo e ainda deserto, ou seja, um verdadeiro paraíso.

Como se não bastasse todas as coisas incríveis que descobrimos na conversa com a família, a Cristobalina ainda faz molas lindíssimas!

O post ficou grande, mas não dava para resumir! Foram tantos lugares bonitos, tantas histórias e tantas curiosidades que ficou complicado cortar informações. Espero que tenham gostado e, quando forem à Kuna Yala, não deixem de conhecer esse casal 😉