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Dia desses, vi um programa sobre pães franceses e me encantei com o preparo, com a paixão que o padeiro falava de sua criação… Como sou muito inquieta, na mesma hora peguei meu computador e “bora lá” viajar por todo mundo sem sair do sofá, à procura da receita do pão perfeito… Já havia provado alguns pães de fermentação natural de uma panificadora da cidade, e nunca sequer me imaginei produzindo um…

Mas como sou uma pessoa que adora desafios, fui fazer minha “pasta madre” para tentar fazer o tal do pão de fermentação natural. E não é que deu certo?! Comecei a vender em minha loja, assim, meio tímida, e em uma semana minhas fornadas já estavam se tornando insuficientes… Isso me fez perceber que os brasileiros vêm se interessando cada dia mais por produtos diferenciados, estão ficando mais exigentes, e querem sair um pouco do tradicional filão (duvido que a gente pare de comer filão com manteiga na chapa, mas estamos começando a conhecer novos sabores! rsrs).

pao-vinho-thefrenchinspiredroomfonte: The french inspired room

Então, numa noite mal dormida, eis que me passa pela cabeça: “se diferentes comidas pedem diferentes pratos, pães, que também são bastante diferentes entre si, também devem pedir vinhos diferentes, não?”. Foi assim que surgiu a ideia do post! Agora, vou dar uma resumida aqui no que eu encontrei… Resumida porque vocês não imaginam a quantidade de artigos, teses, livros, etc que encontrei relacionando essas duas maravilhas: o pão e o vinho!

A “amizade” que rola entre o pão e o vinho não é novidade para ninguém, e não tem nada de moderninha. Afinal, essa dupla já é conhecida há séculos, tanto que é o símbolo do Cristianismo, representando o corpo e o sangue de Cristo. Apesar de o pão ter como ingredientes básicos o trigo, a água e o sal, podem ser tão diferentes que perdemos a conta do número de pães distintos que já comemos, não é?

pao-padaria-vatpanmigle-seykite-paoVatpan/Migle Seytke-foto de capa: Joyus

O vinho: uva fermentada! Simples assim… e tão complexo ao mesmo tempo. Cada taça é uma nova experiência. Mas você pode sim estragar essas duas gostosuras se servir seu lanche com o vinho errado. Então vamos seguir aqui uma das regras básicas da harmonização de vinhos: Pães leves pedem vinhos leves. Pães de corpo médio pedem vinhos de corpo médio. Pães pesados pedem vinhos encorpados. Nada de muito “Óooooo”, né? Essa regra vale não somente para a massa em si do pão, mas principalmente para o recheio. Atenham-se também à harmonização do recheio com o pão. É muito importante que o recheio não “tape” o sabor do pão, eles têm que se complementar de um jeito equilibrado.

Seguem aqui algumas harmonizações que encontrei num estudo fantástico sobre pães e vinhos na internet, mas infelizmente quem postou não deixou o nome do autor. Então, se alguém ao ler esse artigo, reconhecê-lo como parte de seu trabalho, por favor, se pronuncie aqui ;D

Vinhos leves, frescos e frutados, pouco alcoólicos, combinam com comida leve, pouco gordurosa, sem muito condimento, mastigável e digerível, tal como pães tipo ciabatta, ou pão francês, recheados de verduras, queijos brancos, peito de frango ou de peru sauvignon blanc, espumante seco ou chardonnay).

Vinhos de bom corpo combinam com comida de médio peso, como pão sírio recheado com filé ao molho de catupiri (merlot, malbec ou syrah), ou ciabatta recheada de salmão defumado (riesling alemão spätlese ou gewürztraminer).

Vinhos encorpados combinam com comidas pesadas e gordurosas de digestão longa, de repetida mastigação, tais como pães integrais recheados com carnes fortes, como cabrito (nebbiolo barbaresco ou Malbec argentino), cordeiro (cabernet sauvignon Bordeaux, tempranillo rioja reserva espanhol, ou um cabernet do novo mundo), ou carnes de caça (shiraz australiano ou francês, pinot noir francês de cote d’or ou cabernet sauvignon do velho mundo).

Aqui estão apenas algumas dicas, mas a maior intensão desse artigo é que, ao programar um próximo lanche com os amigos, vocês repensem, pesquisem e provem harmonizá-lo ao vinho e ao pão mas apropriado!

Salute!