Certa vez estava lendo um livro a respeito da história da maior rede de cafés do mundo (vocês já devem imaginar qual é) e encontrei um dado interessante: o autor Taylor Clark dizia que o café é a segunda mercadoria mais trocada internacionalmente no planeta, ficando atrás apenas do petróleo. Omg. Nesse momento fechei o livro e tirei um tempo para processar a informação.

Recentemente descobri que esse dado não é completamente verdadeiro, mas isso não me fez perder a fé no grão nem na bebida. Ele serviu para que eu buscasse conhecer um pouco mais sobre a origem das coisas. “A cada xícara de café que você bebe, você partilha um dos grandes mistérios da história cultural”, dizem os autores Bennett Weinberger e Bonnie Bealer. Então vamos contar o início dessa história.

historia-do-cafe-pe-de-cafe-juliano-lamur-ickfd-globo-ruralGlobo Rural

A história das cabras dançantes

Conta a lenda que por volta do século VI, um pastor de cabras chamado Kaldi cuidava de seu rebanho na região dos planaltos da Etiópia quando observou um fato estranho: suas cabras pareciam mais agitadas do que o normal, pulando e dando coices. Kaldi olhou os arredores e percebeu que ali haviam arbustos de folhas escuras com pequenos frutos vermelhos que deixavam as cabras cheias de energia. Curioso, o pastor teria mastigado alguns daqueles frutos e se sentido estranhamente revigorado.

Cheio de energia e boas ideias (afinal, é para isso que as pessoas bebem café até hoje), Kaldi teria levado os frutos para um sábio islâmico que vivia em um mosteiro da região. Depois de ouvir a história, o homem avaliou a situação, achou que aquilo tudo não era uma boa ideia e jogou as frutinhas no fogo de uma vez. E então, o aroma das sementes torradas se espalhou de maneira tão irresistível pelo ambiente que o sábio teria recolhido tudo de volta do fogo e dissolvido em água quente. Estava feita a primeira xícara de café da história da humanidade.

GoatPhillyfoodtours

Outra possibilidade (historicamente mais provável) para a descoberta do café também tem ligação direta com a religião islâmica. Nessa versão, os sufis, praticantes de uma ramificação do Islã conhecida como sufismo, teriam também encontrado com o café na região da Etiópia e colhido algumas amostras para testar depois. A descoberta se espalhou pela região e se tornou cada vez mais popular.

Entre os povos da região da Etiópia o fruto do cafeeiro já era utilizado de outras maneiras, como em uma massa encorpada frita na manteiga (seriam os ancestrais das panquecas?) ou misturado à gordura animal e enrolado em bolotas do tamanho de uma bola de bilhar. Aliás, dizem os relatos que os guerreiros da tribo etíope Galla eram capazes de ficar saciados por um dia inteiro de viagem ou batalha se alimentando de apenas uma bolota de café com gordura. Ew.

De qualquer maneira, seja na versão poética do jovem Kaldi ou na versão realista dos sábios sufis, o passo seguinte à descoberta é sempre o mesmo: foi a partir dos árabes, grandes pensadores e comerciantes, que o café entrou na Europa e ganhou o mundo. Então, brindemos a eles!

xicara-historia-do-cafe-juliano-lamur-arabicasimples-ickfd2Juliano Lamur (Instagram @arabicasimples)

p.s. estamos inaugurando a hashtag Café em Casa no Instagram! Marque suas fotos com #CaféEmCasa e compartilhe conosco seu café de todos os dias. 🙂