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O Oscar já está batendo na porta e uma obra indicada a melhor filme e mais oito outras indicações não poderia deixar de estar nesta coluna cine-gastronômica, né? E, claro, para fazer jus ao nome do espaço aqui no blog, o filme precisava ter algum detalhe que nos levasse aos prazeres da boa e velha comilança. O Grande Hotel Budapeste traz isso e muito mais.

A trama do filme é um deleite aos olhos, ouvidos e coração. Nos faz sentir o gostinho da infância, como quando sentávamos próximo a alguém que nos contava histórias inventadas, e a estética da imaginação se traduz através das cores vibrantes e cortes de cena inesperados (se me perguntassem uma das coisas mais atrativas no filme, acho que a resposta seguiria por aí).

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O longa é contado por duas vozes: a do escritor (Jude Law) que visita o já decadente Grand Hotel Budapest, em 1968, e a do Zero Mustafa adulto (F. Murray Abraham), o aprendiz do nosso personagem principal: Monsieur Gustave (interpretado por Ralph Fiennes, o Voldemort de Harry Potter – mas seria injusto lembrá-lo dele apenas por causa desse papel; o cara estrelou no filme Dragão Vermelho, continuação de Hannibal Cannibal e também no excelente longa O Leitor, junto com Kate Winslet, lembra?).

Zero Mustafa adulto relembra os momentos de glória de sua vida desde que tornou-se o “lobby boy”, uma espécie de mensageiro e faz-tudo no hotel, do Grand Budapest. O ano é 1932; o lugar, uma cidadezinha imaginária nos Alpes Europeus. Zero (Tony Revolori), pré-adolescente de origem árabe e bigode finamente desenhado a lápis cajal, se aproxima da figura mais memorável do hotel, o concierge Monsieur Gustave, conhecido por sua vaidade, poder de sedução (ele só gosta das mais velhas) e alma de poeta frustrado.

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Aprendiz e mestre, os dois amigos se envolvem numa enrascada assim que Gustave descobre que uma de suas amantes, viúva e riquíssima (Tilda Swinton), foi assassinada e lhe deixou, no testamento, a maior preciosidade de sua fortuna: um quadro raríssimo. A partir daí, a aventura começa. Os filhos (estranhíssimos – são tipo uma versão gótico-assustadora no universo colorido do filme) não sossegam enquanto não têm nas mãos a herança completa e fazem questão de usar a violência para alcançar esse objetivo.

Todos as interpretações são dignas de tirar o chapéu. Além disso, Wes Anderson, o diretor do filme, escolheu atores muito bem gabaritados para compor a história. Além dos citados acima, tem também Bill Murray, Adrien Brody, Owen Wilsen e a jovem Saoirse Ronan, par do nosso lobby boy. No filme, Zero se apaixona pela querida e, com o perdão do trocadilho, doce confeiteira Agatha, que faz os doces mais delicados e deliciosos da região. São as courtesans au chocolat da chiquérrima confeitaria Mendel’s. O doce consiste em três “chouxs” recheadas com creme de chocolate e cobertas com um glacê de açúcar de confeiteiro, leite e corante. É quase como uma versão de torre do Saint Honoré que Hortense, personagem do primeiro filme dessa coluna, Os Sabores do Palácio. 

Receita e vídeo da Pâte à Choux 

Receita e vídeo do Creme de Chocolate

Receita do Glacê Royal

Grande-Hotel-Budapeste-resenha_marinamori-ickfd2Grande-Hotel-Budapeste-resenha_marinamori-ickfdHow-To-Make-Courtesan-au-Chocolat-From-Wes-Andersons-The-Grand-Budapest-Hotel1

Não dá uma vontade louca de comer? De preferência, assistindo a esse filme incrível. Beijo!

Ficha Técnica:

THE GRAND BUDAPEST HOTEL

Roteiro e Direção: Wes Anderson

Ano: 2014

Trilha Sonora: Alexandre Desplat